domingo, 27 de setembro de 2015
Eclipse lunar
o céu se pinta de cinza pra gente não ver
i n c o n s c i e n t e
viver
sem saber o que virá
um dia tudo se esconde
sentimento revira dentro da gente
a lua some
tudo apaga
tempo de silêncio
pra depois se revelar
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
A CIDADE E O CÉU
Aquela cidade eu não sei o nome... me esqueci... porque ela era tão maravilhosamente enlouquecedora que me envolveu e me levou para longe dela...
Fui parar no céu e olhava para a cidade lá em baixo, bem pequenininha, cheia de pequenas e estranhas pecinhas. Algumas se moviam constantemente como formigas trabalhadoras... Outras se quedavam paradas e envelheciam com o tempo sem cuidado...
Eu admirava e estranhava a beleza das coisas sem nome, lá... tão distantes... eram pontinhos brilhantes com os quais eu brincava... De dia as coisas ficavam mais claras e eu percebia o quão sério era aquilo tudo. Cidade onde viviam os seres mais bonitos e mais monstruosos da galáxia...
Aconteceu um dia que deu uma chuva gelada com pedras transparentes que derretiam quando iam chegando perto do chão... Eu caí com elas... Fui parar lá em baixo, no meio da cidade... Me assustei no começo, mas depois as coisas começaram a fazer sentido... Ou será que fui eu que perdi os sentidos? Sentia medo do que era vivo... mas era estranho, porque ás vezes ali as coisas pareciam mais mortas do que quando vistas lá de cima...
Fui chegando bem perto do piso e encontrei um buraco no chão... Para dentro do buraco haviam histórias sem fim, caminhos que se cruzavam e se separavam sem chegar a um lugar comum... Ali se dava, ao mesmo tempo, o entendimento e o desentendimento do mundo... Alguém me pediu ajuda para carregar terra por um dos caminhos... me envolvi na tarefa e, sem perceber andei muitos kilometros...
Parei para descansar, olhei para cima e era de noite... lá... tão distante, haviam milhares de pontinhos brilhantes... Será que eram eles que brincavam comigo e eu não sabia?
DaniK – 26/10/2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
REFORMA INTERNA
Acontece que minha casa está em reforma, derrubaram as paredes, a água invadiu e eu não sabia o que fazer. Fiquei angustiada. Tudo virado de cabeça pra baixo.
Perdi meus sapatos, meus livros. Preferi assumir, ficar em silêncio e descalço.
Agora estou me recuperando. Aos poucos fui colocando ordem na bagunça.
Aos poucos fui me convencendo que isso acontece vez ou outra com todo mundo.
Aos poucos me dei conta de que o grande aprendizado não é saber manter tudo em ordem sempre, mas ter coragem suficiente para bagunçar, deixar bagunçar e recomeçar a organização.
A vida se mostra naquilo que está em movimento. Tentar manter a ordem estática das coisas é um suicídio vagaroso e eu resolvi viver. Com toda a vida que há em mim. Na verdade com quase toda. Porque querer viver a vida toda de uma vez também me parece uma forma de suicídio.
Por isso larguei tudo um tanto bagunçado. O segredo é a medida, sempre a medida. Nem ordem demais, nem desordem absoluta. O bom é a bagunça organizada, propositada, em que a gente sabe onde as coisas estão, mesmo que estejam empilhadas de qualquer jeito num canto do quarto.
O bom é estar vivo e não entender porque as coisas acontecem exatamente como acontecem, mas confiar que está tudo no lugar certo. Mesmo que, muitas vezes, pareça estar tudo de cabeça pra baixo.
O bom é não calcular todos os passos, mas ter algum foco e saber caminhar.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
borboleta
tive que tirar uma foto... ela ficou rodando em volta de mim... o que será que veio me dizer?"Borboleta pequenina, tem asas e não voa. será medo ou será escolha?" tenho voado... voô de borboleta... meio sem direção... experimentação de me ser... será que me encontro? será que me perco? será que estou me sendo? ou apenas me deixo ir? leveza de borboleta... ás vezes pesa...
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